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FLOR DE PRIMAVERA

FLOR DE PRIMAVERA

De longe eu vim, para a um jardim conhecer.

Durante o inverno eu viajei; mas dele me despedi,

quando em meu destino cheguei .

Buscava eu um porto seguro para meu já machucado coração,

que das rosas colhera os espinhos,

deixando marcado em minhas lembranças os muitos profundos arranhões.

O belo e valoroso jardim, que eu muito ansiava encontrar,

sem nenhum percalço o encontrei; mas não o sabia como nele entrar.

A fechadura, eu logo avistei;

só me faltava a chave para nela colocar e girar.

Após o caçula dos ponteiros de meu relógio,

muitas voltas dar na circunferência que o envolve,

pude a chave encontrar, na fechadura encaixar,

seu segredo desvendar; e em fim no jardim entrar.

Meus olhos nunca avistaram tão esplendoroso conjunto de artes em flor;

e belíssimas flores de diversos aromas e cores,

que davam prazer no tão somente contemplar.

Mas uma, se destacar conseguia, em meio a tanto encanto.

Parecia que ela, com suas pétalas me dizia:

Aprecia-me; mas sem me tocar!”

Como que com sua pureza só se permitisse tocar pelo amor.

Lindo era aquele imenso jardim; e ela, me parecia, só a ele pertencer;

Como que, fora dele, completa ela deixaria de ser.

A mim mesmo eu dizia que aquele não era o lugar

de a uma tão linda flor cultivar e ocultar seu brilhar;

pois ainda que secreto, fosse o jardim,

ele não a poderia de tudo a defender:

Um impetuoso e furioso vento poderia uma de suas pétalas arrancar;

ou mesmo a força das muitas águas,

a poderia numa enxurrada, consigo para longe do jardim levar;

ou que um grande e desastrado animal, a pisasse em seu caminhar...

Da flor, com cuidado me aproximei,

para a atenção não chamar e sua fúria não despertar.

Quando nela cheguei, com a sensibilidade de um cirurgião,

com as pontas de meus dedos a toquei;

e, ao sentir-lhe a suavidade e pureza,

e seu doce perfume adocicado em meu prazer se entranhar; quase que uma sincope tive.

Aquela flor me encantou, ao ponto de me fazer desejar,

do chão arrancar-lhe,  dela me apossar e comigo a levar.

Mas onde eu a iria replantar e cultivar!?

A selva de pedra é o meu natural habitat!

Então ousei, com meus trêmulos lábios a tocar,

e seu perfume em minha lembrança guardar.

Queria eu à ela, para sempre me dedicar; mesmo sem saber,

a seu nome chamar.

A sensatez a meu ímpeto venceu,

e para a porta do jardim, só me caminhei,

deixando aquela linda flor, no mesmo lugar que a deslumbrei.

A chave na fechadura virei e por fora a porta tranquei;

por baixo dela, a chave do jardim introduzi.

Decidi seus portais não mais adentrar;

e as lembranças da flor que amei, no jardim deixei.

Se de ideia, um dia eu mudar, motivado pelo seu chamar,

arrombo com simplicidade do jardim a porta, e apresento-me a “minha flor” –

que de Primavera a chamarei –

não como um fútil nômade que sempre fui;

mas como... o jardineiro de seu amor!

 

(Rogério Godoy)

 

Obs. Este poema faz parte do livro CARTAS DE AMOR... AO PAI!, de Rogério Godoy, que foi publicado na cidade de São Paulo em junho de 2011.

 

Em algumas situações especificas, a maior prova de amor,

 pode simplesmente ser o abrir mão de quem se ama,

pela felicidade desse alguém!”

                                                        (Pastor Rogério Godoy)

 

 

COMENTÁRIO do Autor:

Sem tentar me proteger por uma falsa modéstia, que não costumo fazer uso, tomo esse texto como um dos mais belos que já escrevi; pois o mesmo, ainda que usando de uma licença poética, é pautado naquilo que acredito, a partir de um ensinamento cristão. Aquele homem que no jardim entrou, pode muito bem ser comparado ao Senhor Jesus, que dos céus veio, por amor a você. O desejo dEle é te envolver em seus braços e te proteger dos perigos desse mundo tenebroso, que se disfarça de jardim, para te prender a ele. Mas, ainda que te amando de forma extrema e incondicional, Ele só te tomará em seus braços se você assim o desejar. Percebemos que o homem do texto, quando trancou por fora a porta do jardim, ele colocou a chave por baixo da porta; isso significa que Jesus está apenas aguardando que você pegue essa chave e abra a porta da sua vida para Ele entrar. A única coisa que Jesus não faz, é arrombar a porta. É necessário que você abra a porta para Ele.

Ainda que tu sejas o destaque do “jardim” onde se encontra nesse momento, saibas que do lado de fora dessa “prisão” sem grades, existe um outro jardim; mas esse tem como jardineiro ao Senhor Jesus. E nesse jardim, todas as flores são cuidadas, como se as únicas fossem.

 

 

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz,

e abrir a porta, entrarei em sua casa,

e cearei com ele e ele comigo!”

                                             (Ap. 3:20)

 

 

Quem não abre a porta do seu coração e da sua vida, para Jesus e o amor,

abre essa mesma porta para o diabo e seus muitos males;

pois tudo é uma questão de decisão!”

(Pastor Rogério Godoy)